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Escrito por Movimento Fora Buva e Amargoso

As cotações da soja em Chicago voltaram a subir nesta semana, com o fechamento do primeiro mês ficando em US$ 10,32/bushel na quinta-feira (22), contra US$ 10,24 uma semana antes. O farelo de soja em Chicago bateu em US$ 378,00/tonelada curta no dia 21/02, registrando ganho de 29% nos últimos seis meses.

O motivo central continua sendo a seca na Argentina, país que exporta 50% do farelo mundial, a qual deve se prolongar pelo restante de fevereiro, não havendo ainda muitas perspectivas de chuvas para março nas regiões produtoras do país. Aliás, esta seca atinge a metade sul do Rio Grande do Sul igualmente, com efeitos desastrosos para a economia local em geral e a soja em particular.

Para completar o quadro especulativo em Chicago, onde os fundos buscam motivos para novas altas, diante de uma realidade de oferta e demanda que não justifica a recuperação das cotações nestes últimos dias, fala-se de que o fenômeno La Niña (seca) possa atingir igualmente as lavouras de verão nos EUA. Ora, isso é muito cedo, já que as primeiras intenções de plantio saem apenas em 29/03 e o plantio, propriamente dito, ocorre particularmente a partir de meados de abril.

Ajudou também, a manter firme as cotações, a recuperação das exportações de soja por parte dos EUA nesta última semana. Todavia, vale alertar que as inspeções de exportação estadunidenses de soja atingiram a 960.066 toneladas na semana encerrada em 15/02, acumulando no atual ano comercial um total de 37 milhões de toneladas, contra 42,7 milhões em igual período do ano anterior.

Neste contexto, salvo outro tipo de notícia baixista, um recuo em Chicago irá depender do retorno das chuvas na Argentina. Aliás, no vizinho país há contradições quanto as reais perdas até o momento. Enquanto o setor privado fala em 10 milhões de toneladas perdidas em soja, setores da Bolsa de Buenos Aires e do próprio governo avançam 7 milhões. É bom lembrar que a soja tem bastante resistência e que na Argentina ainda há tempo para uma boa recuperação das lavouras caso chova nos próximos 15 dias por lá.

Pelo sim ou pelo não, tal comportamento em Chicago, somado a um câmbio ao redor de R$ 3,27 por dólar no final desta semana, abre uma nova janela de comercialização aos produtores brasileiros, tanto para quem ainda possui estoques passados, quanto para vendas futuras. A atual janela permitiu que os preços médios, no balcão gaúcho, voltassem aos níveis de um ano atrás, coisa que não ocorria há muito tempo. 

De fato, o balcão gaúcho fechou a corrente semana na média de R$ 64,89/saco, contra R$ 64,80 um ano antes. Já os lotes de soja foram negociados na média de R$ 71,50 a R$ 72,00/saco. Por sua vez, o CIF porto de Rio Grande atingiu a R$ 76,50/saco, contra R$ 73,00 um ano atrás. Nas demais praças nacionais os lotes oscilaram entre R$ 61,00/saco em Sorriso (MT) e R$ 73,50 em Campos Novos (SC), passando por R$ 62,00 a R$ 62,50/saco em São Gabriel e Chapadão do Sul (MS), R$ 64,00 em Goiatuba (GO), R$ 67,00 a R$ 68,00 em Pedro Afonso (TO) e Uruçuí (PI), e R$ 71,50/saco no norte do Paraná.

Esta recente elevação nos preços nacionais aumentou o movimento de vendas antecipadas por parte dos produtores, registrando-se bons volumes negociados durante a presente semana, especialmente na região conhecida como Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), segundo Safras & Mercado.

Dito isso, a colheita da soja brasileira, até o dia 20/02, chegava a  28% da área, contra 30% na média histórica e 38% na mesma época do ano passado (cf. AgResource). Neste sentido, vale destacar igualmente que a safra total brasileira atual poderá chegar a 115,6 milhões de toneladas, ultrapassando em 1,2% o volume de 114,2 milhões atingidos na safra passada (cf. Safras & Mercado). Este aumento, obviamente, não compensa a forte quebra prevista na Argentina, fato que fará a produção total da América do Sul, neste ano, recuar. Nesta estimativa, o Rio Grande do Sul produziria 17,9 milhões de toneladas, contra 18,4 milhões um ano antes. O Paraná chegaria a 19,2 milhões, contra 19,4 milhões de toneladas na safra anterior, e o Mato Grosso, maior produtor nacional de soja, atingiria 31,06 milhões, contra 30,99 milhões de toneladas um ano antes. Diante da seca da metade sul do Estado a safra gaúcha nos parece, no momento, superestimada.

 

Fonte: AgroLink